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Paixão pelo litoral de SP faz empreendedor surfista adotar cidade para gerar empregos

Fonte: A Tribuna

Autor: Stevens Standke – 08/05/2022

É inspirador ver o quanto Douglas Torres ama Peruíbe. Detalhe: o empreendedor de 38 anos não nasceu na cidade e, sim, em São Paulo. Porém, em 1999, ele se mudou para o município da Baixada Santista com a família. Aí foi uma questão de tempo até se encantar com o estilo de vida local e com o surfe, esporte que permitiu que conquistasse uma bolsa na universidade. Nessa hora, se viu obrigado a se mudar para o ABC, só que passou a ter o sonho de, um dia, voltar a morar em Peruíbe. Isso aconteceu há quatro anos, quando trouxe para a cidade o seu negócio, a Yup Chat, quinta maior empresa do País de envio de mensagens corporativas por SMS, WhatsApp, Google e redes sociais, que no ano passado registrou faturamento de quase R$ 30 milhões e que possui 800 clientes – lista que inclui algumas grandes marcas, como Cacau Show, Amaro e Kopenhagen. Na entrevista a seguir, Douglas conta sua trajetória marcada pelo perfil autodidata e empreendedor e ainda detalha os planos de contribuir com a geração de empregos e o fortalecimento da cena do surfe em Peruíbe.

O que motivou a sua mudança de São Paulo para Peruíbe?
Já ouvi de grandes empresas que atendo: “Por que morar e trabalhar em Peruíbe?” Eu amo a cidade. Me mudei para cá em 1999, com 14, 15 anos. Na época, meu pai, que sempre foi professor da USP (Universidade de São Paulo), veio comigo e com minha mãe num fim de semana apenas para conhecer o Guaraú. Mas ele se apaixonou de tal forma pelo município que, em seis meses, construiu uma casa. Eu e minha mãe acabamos mudando de vez de São Paulo para Peruíbe, enquanto meu pai descia nos finais de semana. E, como sempre gostei de esporte, conheci o surfe e me encantei. Ia pegar onda pela manhã, às 7 horas, e só voltava para casa oito horas depois. Trabalhei de assistente de pedreiro para comprar minha primeira prancha. Por quase dois anos, ainda estagiei no Ibrasurf (Instituto Brasileiro de Surf) e dei aulas na escola da entidade na Riviera de São Lourenço. Como me destaquei no esporte, consegui bolsa numa universidade do ABC, o que me fez mudar para lá.

Fez qual curso?
Estudei um pouco de Administração, Ciência da Computação e Marketing, só que não concluí nenhum dos cursos, pois minha esposa engravidou do nosso primeiro filho e tive de deixar a faculdade para trabalhar. Quatro anos depois, quis empreender e, como sou autodidata, comecei a desenvolver sistema de envio de SMS corporativo, aqueles torpedos que recebemos com mensagens de empresas. O negócio cresceu. Quando vi, tinha conquistado meu espaço e estava lutando contra titãs. Hoje, a Yup Chat é a quinta maior empresa de envio de mensagens corporativas do Brasil. O nosso faturamento em 2021 ficou perto de R$ 30 milhões. No ano passado, abri uma filial no Uruguai, para passar a atuar no mercado da América Latina.

Quanto tempo faz que voltou para Peruíbe e trouxe a empresa junto?
Faz quatro anos. Na época, éramos equipe de quatro pessoas – entre elas a minha esposa – e eu tinha o sonho de retornar para Peruíbe. A preocupação com meu bem-estar foi decisiva para isso. Com a vida que levava em São Paulo, fiquei sedentário, cheguei a 135 kg e passei a ter problemas de saúde. Hoje, peso 92 kg. Em Peruíbe, voltei a surfar; o esporte ajuda a manter a forma. Quero contribuir com o desenvolvimento do município. Apoio um atleta do surfe, o Lucas Ferreira, e a ONG Vida & Surf. Não tem nada a ver com a minha profissão, mas eu vim do surfe e é um jeito de retribuir tudo.

O que mais pretende fazer?
Vou assumir a presidência do Esporte Clube Guaraú, com a meta de focar no trabalho com crianças da base de vários esportes. Também apoio campeonatos de surfe. Quando voltei para Peruíbe, os torneios estavam parados. Há três anos, o campeonato municipal foi retomado. Sem falar que a Associação de Surfe de Peruíbe está ativa de novo. E quero gerar empregos para a população por meio da minha empresa.

O que planeja nesse sentido?
A Yup Chat hoje tem 35 funcionários. Comprei um terreno para construir um complexo e vou capacitar pessoas para trabalhar na empresa. Quero gerar, pelo menos, de 100 a 200 empregos. Nós somos a primeira startup de Peruíbe. Há três semanas, concluímos nova plataforma que vai fazer uma virada de chave e ampliar nosso negócio. Ainda entrei como investidor em outras startups.

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